segunda-feira, 7 de outubro de 2013

hinduismo:os avatar de krishna

Os Avataras do Senhor Krishna

All Incarnations
Sri Nandanandana
O Ser Supremo faz Seu advento em várias formas e encarnações. Na verdade, “encarnação” não é a palavra apropriada, uma vez que significa “aparecer na carne”. O Senhor faz Seu advento em Sua própria forma, e não nos elementos ou na carne deste mundo. O nome apropriado para essa descida do Senhor é avatara, embora muitas vezes se use a palavra “encarnação” para dizer o mesmo. Cada vinda, ou avatara do Senhor, tem uma missão específica, mas, primariamente, ajudam a manter o mundo, guiar os seres vivos na vida e atraí-los de volta ao domínio espiritual.
O momento e a razão para essas encarnações é que, sempre e onde quer que haja um declínio da religião e uma ascensão de irreligião, o Senhor Krishna Se manifesta. Deste modo, a fim de proteger os sadhus (os piedosos), destruir os invejosos e reestabelecer os princípios da religião, Ele faz Seu advento milênio após milênio.1
O Senhor Krishna aparece em cada universo. Quando Suas atividades são encerradas em um universo, Ele começa Seus passatempos em outro. Assim, Seus passatempos eternos prosseguem dessa maneira enquanto a manifestação material continue. Ademais, Seus devotos eternamente libertos também O seguem de um universo a outro a fim de acompanharem-nO em Seus venturosos passatempos.2
Também se juntam ao Supremo aqueles devotos que estão quase perfeitos em sua consciência espiritual. Por se juntarem aos passatempos do Senhor em outro universo e por sua associação direta com o Senhor e Seus devotos puros, podem completar as qualificações necessárias para entrarem diretamente na atmosfera espiritual. É assim como o Ser Supremo exibe os passatempos eternos do domínio espiritual dentro da criação material e atrai as almas materialmente condicionadas.
As Principais Encarnações do Ser Supremo
Há vinte e dois principais lila-avataras do Ser Supremo, que aparecem ao longo das eras. Todos eles têm formas ou aspectos corpóreos específicos, assim como propósitos particulares. São listados em vários textos védicos, especialmente nos Puranas, e seus muitos passatempos são ali explicados em detalhes.
The Four Kumaras Become Devotees of Lord Vishnu
A primeira dessas encarnações são os quatro filhos de Brahma, os Kumaras. Eles fizeram o voto de celibato e se submeteram a severas austeridades para conhecerem a Verdade Absoluta. São considerados almas jivas dotadas de poder, ou shaktyavesha-avataras, cuja missão foi ensinar o processo do desenvolvimento espiritual.3 O conhecimento da verdade espiritual havia desaparecido na devastação universal anterior, e eles ajudaram no seu restabelecimento.4
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O Senhor Varaha foi o segundo avatara, o qual teve a forma de um gigantesco javali. Ele ergueu o planeta Terra para fora das águas imundas das regiões inferiores do universo, uma atividade apropriada para um javali. Fez isso a fim de neutralizar as atividades nefastas dos demônios que haviam deixado o planeta Terra em risco.5
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A terceira encarnação foi um sábio entre os semideuses, Devarshi Narada Muni, outra personalidade investida de poder. Ele reuniu exposições dos Vedas que lidavam com o processo do serviço devocional ao Senhor Krishna e compôs o grande clássico Narada-pancharatra. Também viajou pelo universo cantando as glórias do Senhor e dando instruções pertinentes a bhakti-yoga e a como obter verdadeira felicidade. Assim, possui muitos discípulos por toda a criação.6 Narada Muni certa vez aprendeu a ciência do serviço devocional ao Senhor durante a encarnação Hamsavatara do Senhor, a forma do Supremo similar a um cisne, que ficara muito satisfeita com Narada.7
Nara and Narayana Appear Before Markandeya Rshi
Na quarta encarnação, o Senhor se tornou os filhos gêmeos conhecidos como Nara e Narayana. Eles nasceram de Murti, a esposa do rei Dharma. Eles se submeteram a severas austeridades na área de Badarikashrama (Badrinatha) nos Himalayas de sorte a demonstrarem o processo de controle dos sentidos para o progresso espiritual.8 As beldades celestiais certa feita foram com as companheiras de Cupido até Narayana a fim de divergirem-nO de Seus votos, mas fracassaram e viram muitas outras belas mulheres como elas emanando do Ser Supremo. Tudo parte do Supremo, que permanece desapegado de todas as Suas manifestações.9
Amsuman Prays to Lord Kapila
A quinta encarnação foi o Senhor Kapila, o mais destacado entre os seres perfeitos. Ele foi o primeiro a explicar o sistema de filosofia sankhya e o caminho de compreensão da Verdade pela análise dos elementos materiais.10 Foi o filho do sábio Kardama Muni e de sua esposa Devahuti. Também apresentou grandes ensinamentos à sua mãe sobre a ciência do serviço devocional ao Senhor Supremo, por meio do que ela se livrou de todas as tendências materiais e logrou a libertação.11 Essa doutrina é apresentada em detalhes no Srimad-Bhagavatam.
Lord Rshabhadeva Instructs His Sons
A sexta encarnação apareceu como Dattatreya, o filho do sábio Atri e de sua esposa Anasuya, ambos os quais haviam orado pedindo que uma encarnação fosse filho deles. Falou acerca do tópico da transcendência a Alarka, Prahlada, Yadu, Haihaya e outros.12
A sétima encarnação foi Yajna, o filho de Ruci e de sua esposa Akuti. Durante o tempo de Svayambhuva Manu, não havia nenhuma entidade viva qualificada para o posto de Indra, o rei do paraíso, Indraloka. Yajna, então, assumiu o posto de Indra e foi auxiliado por Seus filhos, como Yama, o senhor da morte, e outros semideuses, na administração dos assuntos do universo.13
O rei Rishabha foi a oitava encarnação, que apareceu como o filho do rei Nabhi e sua esposa Merudevi. Mais uma vez, demonstrou o caminho da perfeição espiritual pela prática de yoga e instruindo Seus filhos no processo de tapasya, austeridades para o desenvolvimento espiritual. Esse caminho santifica a existência de quem o segue e conduz à felicidade espiritual perpétua. Esse caminho é seguido por aqueles que controlaram completamente seus sentidos e são honrados por todas as ordens de vida.14
The Supreme Lord in His Hayagriva Incarnation
O Senhor também apareceu como Hayagriva, “aquele de cabeça de cavalo”. Foi uma encarnação de cor dourada que surgiu durante um sacrifício realizado por Brahma. Quando Ele exalou, todos os doces sons dos Vedas partiram de Suas narinas.15
King Prthu Enters His City
A nona encarnação foi Prithu, que aceitou o corpo de um rei. Os sacerdotes brahmanas oraram por Sua vinda a fim de que neutralizasse os problemas que haviam sido causados pelas atividades ímpias do rei anterior, de nome Vena. Prithu fez vários arranjos para cultivar a terra e produzir grande variedade de produtos.16 Embora o rei Vena houvesse sido condenado ao inferno pelas reações de seus erros e pela maldição dos brahmanas, Prithu o salvou.17
Depois do tempo de Chakshusha Manu, houve completa inundação em todo o mundo. Manu foi alertado sobre essa enchente e construiu um barco no qual ele e sua família sobreviveram. O Senhor aceitou a forma de um imenso peixe para proteger Vaivashvata Manu e guiar o barco em segurança até um imenso pico de uma montanha. Esse foi o avatara Matsya. Depois do período de cada Manu, há uma devastação de água no planeta. O Senhor, então, aparece regularmente a fim de mostrar favor especial a Seus devotos e protegê-los da devastação, assim como para permitir um novo começo para a sociedade. Ele, destarte, protege da destruição todas as entidades vivas bem como os Vedas.18 Depois da última inundação, Manu e sua família e as criaturas vivas sobreviventes repovoaram a Terra. O povo local de Uttarakhand, no norte da Índia, identifica Nanda Devi como o pico da história da enchente.
Kurma Churns The Mandara Mountain
A décima primeira encarnação do Supremo foi na forma de uma imensa tartaruga, Kurma, cuja principal missão foi fazer o papel de um pivô para a colina Mandara, que foi usada como braço de pilão pelos demônios e semideuses. O evento foi que os demônios e semideuses queriam produzir néctar a partir do oceano através dessa batedura, pois o néctar os tornaria imortais. Cada um dos lados queria ser o primeiro a obter a bebida, e as costas do Senhor Kurma foi o local de assento da colina.19 Conforme a montanha se movia de um lado a outro sobre as costas de Kurma enquanto Ele estava parcialmente dormindo, Ele experimentou uma sensação de coceira.20
Dhanvantari With the Pot of Nectar
Na décima segunda encarnação, o Senhor apareceu como Dhanvantari, que produziu o néctar que surgiu da batedura. Ele é considerado o senhor da boa saúde. É Ele quem inaugurou a ciência médica no universo.21 O Senhor aceitou a décima terceira encarnação tornando-Se Mohini, a mais bela das mulheres, que enganou os demônios de modo a que o cântaro com o néctar fosse dado aos semideuses. Assim, o Senhor impediu o caos que decorreria caso os demônios bebessem o néctar e se tornassem imortais.22
Lord Nrsimhadeva Slays The Demon Hiranyakashipu
Na décima quarta encarnação, o Senhor apareceu como Narasimhadeva, a forma meio homem meio leão que exibiu a ira e o poder do Ser Supremo quando um de Seus devotos foi colocado em perigo. O Senhor colocou o demônio Hiranyakashipu sobre Seu colo e, com Suas longas unhas, rasgou o corpo do ateísta que havia ameaçado a vida de seu filho, Prahlada, um leal devoto do Senhor.23 Esta é uma das histórias mais populares entre as histórias descritas nos Puranas.
Lord Vamanadeva, The Dwarf Incarnation
Na décima quinta encarnação, o Senhor, como Vamana, assumiu a forma de um brahmana anão. Ele apareceu como o caçula de Sua mãe, Aditi. Ele visitou a arena sacrificial de Bali Maharaja fingindo pretender pedir por meros três passos de terra. Bali, uma vez solicitado, rapidamente concordou em dar a Terra, pensando que aquele anão não poderia receber muitas terras com Suas passadas. Contudo, quando Vamana deu dois passos, Seu corpo se tornou tão imenso que cobriu todo o universo. Não havia mais lugar para dar Seu terceiro passo, motivo pelo qual Bali, compreendo que estava diante do Ser Supremo, ofereceu sua cabeça para o último passo. Assim, Vamana fez Bali humilde, em consequência do que Bali se qualificou para ter seu próprio planeta.24
Parashurama Incarnation
Na décima sexta encarnação, o Senhor aceitou a poderosa forma de Parashurama e aniquilou a viciosa classe de reis guerreiros vinte e uma vezes a fim de livrar a Terra do fardo de tais regentes nefastos. Deste modo, pôde estabelecer uma administração nobre.25
Narada Muni Encourages Vyasadeva to Write the Srimad Bhagavatam
A décima sétima encarnação foi Srila Vyasadeva, que apareceu como o filho de Parashara Muni e sua esposa Satyavati. Sua missão foi dividir o Veda único em vários ramos e sub-ramos a fim de que as pessoas que são menos inteligentes possam compreendê-los facilmente.26 Ele, então, compôs os textos védicos mais importantes, culminando em seu próprio comentário à literatura védica na forma do Srimad-Bhagavatam. Desta maneira, o Veda único se tornou as quatro principais samhitas, a saber, os Vedas Rig, Yajur, Sama e Atharva. Vieram, então, os textos Brahmanas, os Vedanta-sutras, o Mahabharata e, então, os Puranas, dos quais Vyasadeva considerou o Bhagavata Purana (Srimad-Bhagavatam) o mais importante e completo.
Sita, Rama, and Lakshman in the Forest
Na décima oitava encarnação, o Senhor apareceu como o rei Rama. A fim de agradar os semideuses e a humanidade, exibiu Seus poderes sobre-humanos como o rei ideal e matou o rei demônio Ravana.27 Esta é uma das narrativas mais populares em toda a Índia, a qual está registrada no grande épico védico conhecido como Ramayana. O Senhor Rama apareceu na família de Maharaja Ikshvaku como o filho de Maharaja Dasharatha, junto de Sita, Sua potência interna e esposa. Sob a ordem de Dasharatha, o Senhor Rama foi para a floresta para viver com Sita e Seu irmão Lakshmana. Enquanto na floresta, Sita foi raptada pelo demônio Ravana, o que abriu caminho para que o Ramayana fosse contado. Aflito, Rama saiu em busca de Sita. Com olhos vermelhos de ira, Ele procurou por Sita por toda a Índia com Seu olhar, e olhou também para a cidade de Ravana, que, à época, localizava-se no atual Sri Lanka. Todos os seres aquáticos no oceano começaram a ser queimados pelo calor de Seus olhos irados, motivo pelo qual o oceano abriu-Lhe caminho. Durante o curso da batalha, o orgulhoso Ravana foi morto pela flecha disparada pelo Senhor Rama, que, então, uniu-Se novamente a Sita.28
Krishna and Balarama in Vrindavana
Nas encarnações décima nona e vigésima, o Senhor veio pessoalmente como o Senhor Krishna e Seu irmão, o Senhor Balarama, na dinastia Yadu, próximo ao fim de Dvapara-yuga. Ele exibiu maravilhosos passatempos para atrair as pessoas e, mais uma vez, aliviou o fardo do mundo livrando-o de numerosos demônios e ateístas.29 O Senhor Krishna é diretamente a Personalidade de Deus original, e Balarama é a primeira expansão plenária do Senhor. De Balarama, vêm todas as outras expansões do Divino.
Buddha Incarnation
A próxima encarnação do Senhor apareceu no começo de Kali-yuga como o Senhor Buddha, o filho de Anjana, com o propósito de iludir os invejosos que haviam utilizado mal o caminho védico e para pregar um sistema simples de não-violência.30 À época, as pessoas em geral estavam se desviando da execução apropriada do sistema védico e, utilizando erroneamente a recomendação védica de sacrifícios, começaram a oferecer e comer animais. Buddha condenou todas essas atividades e ensinou as pessoas a simplesmente segui-lO. Ele, deste modo, enganou as pessoas sem fé, que, por fim, tiveram fé no Senhor Buddha.
Kalki Incarnation
A vigésima segunda e última encarnação do Supremo aparecerá no fim de Kali-yuga, na conjunção do próximo yuga. Ele nascerá como a encarnação Kalki, o filho de Yasha, quando os regentes da Terra terão se degenerado à condição de ladrões e saqueadores comuns.31 Nesse período, não haverá tópicos sobre Deus, nem algum tipo de conhecimento de religião. Então, porque as pessoas serão excessivamente incapazes mentalmente para compreender a filosofia, Ele, em vez de tentar ensinar ou mostrar o caminho de progresso, simplesmente matará os ladrões tolos que estarão vagando pela Terra. Isso acontecerá daqui a cerca de 427.000 anos. [Detalhes sobre o Senhor Kalki e Suas atividades são fornecidos em um de meus primeiros livros, The Vedic Prophecies: A New Look into the Future.]
Como resume o Srimad-Bhagavatam (1.3.28), todas essas encarnações são ou porções plenárias ou porções das porções plenárias do Senhor. Contudo, como explicado, krishnas tu bhagavan svayam, o Senhor Sri Krishna é a Suprema Personalidade de Deus original, a fonte de todas as outras expansões ou avataras.
Embora homens instruídos discutam o nascimento e as atividades do Supremo não nascido, o Senhor do coração, os tolos que têm um pobre fundo de conhecimento não podem entender a natureza transcendental das formas, nomes e atividades do Ser Supremo, que interpreta como um ator em uma peça teatral.32 Somente aqueles que prestam serviço favorável ao Senhor Krishna podem conhecer o criador do universo em Sua completa glória, poder e transcendência.33
As Encarnações Manu
Os Manus são as quatorze encarnações que aparecem por certa duração ao longo de um dia de Brahma. O dia de Brahma é calculado como 4.300.000 anos (o tempo de um ciclo dos quatro yugas) vezes 1.000. Dentro de um dia de Brahma, há quatorze Manus. A lista dos quatorze Manus neste universo é a seguinte: Yajna é Svayambhuva Manu, Vibhu é Svarocisha Manu, Satyasena é Uttama Manu, Hari é Tamasa Manu, Vaikuntha é Raivata Manu, Ajita é Chakshusha Manu, Vamana é Vaivasvata Manu (o Manu da era atual), Sarvabhauma é Savarni Manu, Rishabha é Daksha-savarni Manu, Vishvaksena é Brahma-savarni Manu, Dharmasetu é Dharma-savarni Manu, Sudhama é Rudra-savarni Manu, Yogesvara é Deva-savarni Manu, e Brihadbhanu é Indra-savarni Manu. Esses quatorze Manus abrangem os 4.320.000.000 de anos solares de um dia de Brahma.34
Os Yugavataras
Os yugavataras são divididos pelos milênios em que aparecem. Aparecem em uma cor em particular de acordo com o yuga. Em Satya-yuga, a cor é branca; em Treta-yuga, a cor é vermelha; em Dvapara-yuga, é negra, e, em Kali-yuga, a cor é amarela, ou dourada. Por exemplo, o Senhor Krishna, em Dvapara-yuga, tinha a cor negra, ao passo que o Senhor Chaitanya, em Kali-yuga, era de tez dourada.35
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Em Satya-yuga, as pessoas eram em geral bastante avançadas em conhecimento espiritual e podiam meditar em Krishna com muita facilidade. Durante o tempo da encarnação branca, o Senhor ensinou religião e meditação, através do que mostrou Sua misericórdia para com as pessoas desta era. Na encarnação avermelhada do Senhor durante Treta-yuga, Ele ensinou o processo de realizar grandes rituais e sacrifícios religiosos. Em Dvapara-yuga, o Senhor apareceu em Sua forma enegrecida como Krishna e induziu as pessoas a adorarem-nO diretamente. Então, em Kali-yuga, o Senhor aparece em uma cor dourada como Seu próprio devoto, demonstrando a outros o processo espiritual para esta era. Acompanhado por Seus associados pessoais, Ele introduziu o processo de hari-nama-sankirtana, ou o canto e a entoação congregacional dos santos nomes do Senhor, especificamente na forma do mantra Hare Krishna. Ele pessoalmente canta e dança em amor extático por Deus. Através desse processo, Ele entrega a todos esse amor a Deus. Quaisquer resultados espirituais obtidos por meio de outros processos nos três yugas anteriores podem ser facilmente obtidos em Kali-yuga mediante o cantar dos santos nomes de Krishna. Trata-se do processo mais fácil para alguém se livrar da existência e alcançar o reino transcendental.36
Os Shaktyavesha-avataras
O último tipo de avatara é o que se chama de shaktyavesha-avatara. São seres vivos que são dotados de poder pelo Supremo para agirem de certas maneiras e cumprirem uma missão em particular. Tais avataras incluem os quatro Kumaras, Narada Muni, o Senhor Parashurama, frequentemente Vyasadeva, e o Senhor Brahma. O Senhor Sheshanaga, nos mundos espirituais vaikuntha, e Sua expansão como o Senhor Ananta, no mundo material, também são encarnações dotadas de poder. O poder do conhecimento foi dado aos Kumaras. O poder da devoção ao Senhor foi dado a Narada. Brahma foi, é claro, dotado com habilidade de criar. Parashurama recebeu o poder de matar os muitos homens nocivos e ladrões que estavam no planeta no Seu tempo. Quando quer que o Senhor esteja presente em alguém por uma porção de Suas várias potências, essa entidade viva é considerada um shaktyavesha-avatara – um ser vivo especialmente investido de poder pelo Senhor.37
É através dessas muitas encarnações que o Senhor mantém o universo e fornece orientação aos seres vivos dentro dele. Entender esse conhecimento é uma parte importante na percepção do plano por trás do universo e nosso propósito dentro dele, e o mesmo fornece grandes benefícios a todos que ouvem sobre ele. Como se explica no Srimad-Bhagavatam (8.23.30), “se alguém ouve acerca das incomuns atividades da Suprema Personalidade de Deus em Suas várias encarnações, ele certamente se eleva aos sistemas planetários mais elevados ou até mesmo volta diretamente ao Supremo, o domínio espiritual”.
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Referências
1. Bhagavad-gita 4.7-8
2. Ibid., 3.2.7
3. Srimad-Bhagavatam 1.3.6
4. Ibid., 2.7.5
5. Ibid., 1.3.7 & 2.7.1
6. Ibid., 1.3.8
7. Ibid., 2.7.19
8. Ibid., 1.3.9
9. Ibid., 2.7.6
10. Ibid., 1.3.10
11. Ibid., 2.7.3
12. Ibid., 1.3.11 & 2.7.4
13. Ibid., 1.3.12
14. Ibid., 1.3.13 & 2.7.10
15. Ibid., 2.7.11
16. Ibid., 1.3.14
17. Ibid., 2.7.9
18. Ibid., 1.3.15 & 2.7.12
19. Ibid., 1.3.16
20. Ibid., 2.7.13
21. Ibid., 2.7.21
22. Ibid., 1.3.17
23. Ibid., 1.3.18 & 2.7.14
24. Ibid., 1.3.19 & 2.7.17-18
25. Ibid., 1.3.20 & 2.7.22
26. Ibid., 1.3.21& 2.7.36
27. Ibid., 1.3.22
28. Ibid., 2.7.23-5
29. Ibid., 1.3.23 & 2.7.26
30. Ibid., 1.3.24 & 2.7.37
31. Ibid., 1.3.25 & 2.7.38
32. Ibid., 1.3.35, 37
33. Ibid., 1.3.38
34. Ibid., 1.3.5, significado & Chaitanya-charitamrita, Madhya-lila, 20, 319-328
35. Srimad-Bhagavatam 1.3.5, significado & Chaitanya-charitamrita, Madhya-lila, 20, 329-333
36. Chaitanya-charitamrita, Madhya-lila, 20, 334-347 & Srimad-Bhagavatam 11.5.32, 36 & 12.3.51-2
37. Chaitanya-charitamrita, Madhya-lila, 20.369-73

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

srinmati Radharani:genero,Divinidade e amor forma de Deusa Dourada

Srimati Radharani: Gênero, Divindade e Amor na Forma da Deusa Dourada

11 01 | Radhastami
Maha Krishna Nama Dasa
No oitavo dia da Lua nova (asthami) do mês de Hrishikesha (agosto-setembro), comemora-se o dia transcendental de Radhastami no calendário vaishnava.
Alguns curiosos e um tanto ressabiados, ao verem uma belíssima pintura do Senhor Krishna com uma estonteante figura feminina ao Seu lado, logo se põem a inquirir: “Quem é essa mocinha que está ao lado de Krishna?”. Seu nome é Srimati Radharani, e a data de Radhastami marca o Seu aparecimento nos passatempos terrestres do Senhor Krishna, a Suprema Personalidade de Deus.
A seguinte pergunta feita por nosso curioso visitante poderia ser a de quem é Srimati Radharani, pergunta esta que será um dos fios condutores desta pesquisa, juntamente com outra intrigante questão: Já que vemos Radha e Krishna na pintura, qual será o gênero de Deus? De acordo com a teologia dos Vedas, será Ele masculino ou feminino, homem ou mulher?
Na tradição judaico-cristã, é comum a preponderância das referências a Deus em ambos o velho e o novo testamentos em um contexto de figura masculina, sendo frequentemente citado como “pai”, ao passo que teólogos contemporâneos, motivados pela teologia feminista, inovam em utilizar uma linguagem feminina para se referir a Deus[1]. No Islão, Deus é estritamente singular (tawhid), único (wahid) e inerentemente Um (ahad), e, inferindo a partir dos 99 nomes de Alá, provenientes de Seus atributos, é um ser masculino.
Nos movimentos neo-pagãos, onde se cultuam a Deusa Mãe protetora, altiva, fecundadora e fértil; muitos de tais grupos advogam um suposto retorno às antigas tradições banidas pelo “machismo” religioso patriarcal que assolou o Ocidente nos últimos séculos.
Na Índia, a mentalidade dos shaktas, ou os adoradores da Deusa, é exposta da seguinte maneira por Bhaktivinoda Thakura em seu Jaiva-dharma: “Ó Mãe Kali, quem, nos três mundos, pode sondar teus passatempos? Às vezes, assumes a forma de um homem, outras, de uma mulher, e às vezes lutas ferozmente numa batalha. Como o Senhor Brahma, crias o universo, como o Senhor Shiva, tu o destróis, e, como o Senhor Vishnu, permeias o universo e manténs todas as entidades vivas…”. (BHAKTIVINODA, 2010, p. 258-259).
Os textos que concluem todo o conhecimento védico, como o Bhagavad-gita e o Srimad-Bhagavatam, apontam Sri Krishna como sendo a divindade suprema e causa de todas as outras causas[2], sendo tal afirmação aceita pelos sábios, tais como o Senhor Brahma, Shiva, Kapila e Prahlada Maharaja, assim como por autoridades eminentes mais recentes, a saber, Ramanuja, Madhva, Rupa e Sanatana, Bhaktivinoda Thakura, Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati e, atualmente, A.C. Bhaktivedanta Svami Prabhupada.
Krishna é descrito como possuidor de multifárias energias[3], e tais energias funcionam de acordo com Sua própria vontade (Bg. 9.4-8), da mesma forma como, em uma grande orquestra sinfônica, onde cada músico atua de acordo com a batuta experiente do maestro regente, toda a manifestação se move e se mantém de acordo com o desejo de Krishna.
Dessa forma, a Suprema Personalidade de Deus é aceito juntamente com Suas energias. Krishna quer dizer a pessoa suprema e Suas energias, as quais se encontram no mesmo nível que Ele. Assim como um rei sempre é acompanhado por todo o seu séquito, ou como a palavra marido aplicada a um homem só tem sentido se ele é acompanhado por uma mulher – neste caso, sua esposa –, Krishna sempre está acompanhado de Suas energias: shaktimam shakti.
Essas potências multifárias, ou seja, toda a substância (vastu) de que é feita a realidade total, aparecem em três diferentes fases, antaranga—cic-chakti, tatastha—jiva-shakti bahiranga—maya,—tine kare prema-bhakti: “Além disso, a potência espiritual da Suprema Personalidade de Deus aparece em três fases – interna, marginal e externa –, as quais se ocupam todas em Seu serviço devocional amoroso”. (Chaitanya-charitamritaMadhya 6.160)
Dessas três, bahiranga ou maya-shakti é a potência que cria este mundo material. Jiva ou tatasthasomos nós, almas espirituais, as quais tentam explorar os recursos desta energia material inferior (Bhagavad-gita 7.5); porém, ambas as energias vêm da única realidade – do Uno supremo – substancial e eterna[4] que é o mundo espiritual compreendido como antaranga—cic-chakti ousvarupa-shakti.
O senhor possui uma forma feita de sac-cid-ananda (Brahma-samhita 5.1) – eternidade, conhecimento e bem-aventurança plenos –, e tais elementos compõem as três diferentes energias originais do mundo espiritual, a potência interna, as quais se refletem neste pervertido mundo material, como explica Prabhupada:
A Suprema Personalidade de Deus tem três classes de potência interna, a saber, a hladini, ou potência de prazer, a sandhini, ou potência existencial, e a samvit, ou potência cognitiva. No VishnuPurana (1.12.69), fala-se o seguinte ao Senhor: “Ó Senhor, sois o apoio de tudo. Os três atributoshladini, sandhini e samvit existem em Vós como uma só energia espiritual. Mas os modos materiais, que provocam felicidade, miséria e misturas de ambas, não existem em Vós, pois não tendes qualidades materiais (Chaitanya-charitamritaAdi 4.60).
Destas energias espirituais originais, Sua potência de prazer interno é conhecida como Srimati Radharani[5] (hladini-shakti). É essa energia que brota de Radha, que nutre Krishna e seus devotos com bem-aventurança nos passatempos de Vrindavana e o único elemento capaz de aproximar a alma (jiva) de Krishna, como explica Srila Jiva Gosvami em seu Priti-sandarbha:
Somente o serviço devocional pode levar alguém à Personalidade de Deus. Somente o serviço devocional pode ajudar o devoto a encontrar-se com o Senhor Supremo face a face. A Suprema Personalidade de Deus sente-Se atraído pelo serviço devocional, e, como tal, a supremacia final do conhecimento védico baseia-se em conhecer a ciência do serviço devocional (JIVA apudBHAKTIVEDANTA, Chaitanya-charitamritaAdi 4.60).
Sri Radhika é a personificação do amor e do prazer de Deus. Todo o amor puro e êxtase espiritual que tanto o jiva puro quanto Krishna desfrutam têm a forma de Radharani como fonte última. Quando a pessoa suprema quer desfrutar e sentir prazer; como Ele é a transcendência Absoluta, não existe a cogitação de Ele buscar felicidade em algo inferior e mundano. Assim, Ele expande de Si mesmo uma forma para tal propósito. Dessa maneira, Krishna expande de Seu próprio eu uma forma capaz de suprir prazer ilimitado para Ele que é o desfrutador supremo e ilimitado:
hladini-nama samprapta  saiva shaktih parakhyikamahabhavadisu sthitva  paramananda-dayinisarvorddha-bhava-sampanna  krishnarddha-rupa-dhariniradhika sattva-rupena  krishnananda-mayi kilamaha-bhava-svarupeyam  radha-krishna-vinodinisakhya asta-vidha bhava  hladinya rasa-posikahtat tad bhava-gata jiva  nityananda-parayanahsarvada jiva-sattayam  bhavanam vimala sthitih 
“Quando a potência espiritual da energia superior interage com o aspecto hladini, ele cria fixação até o estado de Mahabhava, no qual ela (hladini) concede o êxtase superior. Essa hladini é Sri Radhika. Ela é a energia do energético, possui os sentimentos amorosos mais elevados e é a metade da forma do Senhor Supremo. Ela Se expande em indescritíveis formas de Krishna de inconcebível felicidade. Radha dá prazer a Krishna. Ela é a personificação de Mahabhava. Há oito variedades de emoções que nutrem o rasa de hladini. Elas são conhecidas como as oito sakhis de Radha. Pela associação com devotos e a misericórdia do Senhor, a energia hladini das entidades vivas realiza uma pequena parte da hladini espiritual. Em seguida, as entidades vivas tornam-se eternamente felizes e atingem o estágio de sentimentos eternos e puros, permanecendo entidades individuais”. (Sri Krishna-samhita, Capítulo 2)
Essa eloquente descrição de Srila Bhaktivinoda Thakura aponta para a existência de Deus como sendo energia e energético juntos. Assim como o leite nunca é separado da vaca, ou assim como o efeito nunca pode ser destituído da causa, Deus significa energia e energético juntos, como quando nos referimos às divindades e primeiramente nomeamos a energia e depois o energético: Lakshmi-Narayana, Sita-Rama e, consequentemente, Radha-Krishna. A energia divina detentora de um aspecto feminino (prakriti), ou aquela que é predominada, e o energético, a pessoa Suprema (purusha), o predominador.
“Essa hladini é Sri Radhika. Ela é a energia do energético, possui os sentimentos amorosos mais elevados e é a metade da forma do Senhor Supremo”. (op cit) Então, Deus, de acordo com a teologia Bhagavata, é energia e energético juntos, e não uma energia amorfa e sem atributos, compreendendo uma transcendência abstrata e totalmente ininteligível. Ele é masculino e feminino associados, Ele é shaktiman-tattva shakti formando o conceito de Verdade Absoluta (bhagavan)[6]mais elevado nos Vedas.
Como Sri Krishna é o completo shaktiman-tattva, Srimati Radhika é Sua shakti completa. Ela pode ser chamada de svarupa-shakti completa. De maneira que Eles possam desempenhar e saborear Suas lilas, Srimati Radhika e Krishna estão eternamente separados, mas também são eternamente inseparáveis, como o almíscar e seu perfume são mutuamente inseparáveis, e o fogo e o seu calor não podem ser separados um do outro. (BHAKTIVINODA, 2010, p. 405-406)
Em termos de tattva (verdade filosófica), bhagavan Sri Krishna é superior a Radha, pois Ele é o adi-purusha, ou a Pessoa original, mas, em termos de lila (as aventuras transcendentais do mundo espiritual), Radhika é superior, chegando às vezes até a controlar e a castigar Krishna, o controlador supremo, como observamos na canção de Jayadeva Gosvami, ou na seguinte citação de Srila Prabhupada:
Srila Rupa Gosvami declara que o serviço devocional atrai até o próprio Krishna. Krishna atrai todo o mundo, mas o serviço devocional atrai Krishna. O símbolo do serviço de­vocional do mais alto grau é Radharani. Krishna é chamado Madana-mohana, que significa que Ele é tão atrativo que pode derrotar a atração de milhares de Cupidos. Mas Radharani é ainda mais atrativa, pois é capaz de atrair até mesmo Krishna. Por isso, os devotos chamam-nA de Madana-mohana-mohani, “Aquela que atrai Aquele que atrai o Cupido”. (PRABHUPADA, 2012, p. 59)
É dito que Srimati Radharani aparece depois de Krishna, no reino de Varshana, próximo à residência de Nanda Maharaja, Nanda Gram, como a filha do rei Vrishabhanu e de mãe Kirtida. Uma princesa, fonte de todo amor e doadora do serviço devocional, aquela que outorga bhakti e ocupa as entidades vivas em tal serviço amoroso, ou seja, a guru, a mestre espiritual no mundo supramundano, como explica Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati:
As almas individuais encontram-se sob a direção de Nityananda. Recebem de Suas mãos seu serviço a Sri Gaurasundara, ou seja, seu serviço a Krishna. Nityananda não é um jiva. O jiva é uma potência de Nityananda. Nenhum jiva pode converter-se no meio do serviço ao Absoluto para outro jiva. Somente o Absoluto pode comunicar Seu serviço aos constituintes separados de Si mesmo. Essa é a verdadeira função do guru.
Mas Nityananda não instrui diretamente no serviço confidencial a Krishna; Srimati Radhika é o gurudo círculo íntimo do serviço a Krishna. Entretanto, Srimati Radhika só aceita a oferenda de serviço daquelas almas que foram favorecidas de maneira especial por Nityananda, as quais Ele considera adequadas para realizar serviço a Ela. (NITYANANDA CHARITAMRITA, 2000, p. 11-12)
Sendo Radharani a rainha de toda auspiciosidade e de todo amor, como seria esse amor na prática? Afinal, um dos grandes infortúnios de nosso mundo atual é o fato de estarmos encobertos por uma cegueira quase completa sobre muitos temas, inclusive o que seria o amor.
Como seria o tão abordado e glorificado pelas escrituras, amor de Srimati Radharani? Será que se trata de mais uma expressão abstrata e ininteligível, ou algo palpável e inerente a todos os seres de forma universal?
A onisciente Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Krishna, de tudo sabe, porém, por Este não conseguir sondar os sentimentos mais profundos de Srimati Radharani e Seu amor inigualável, Krishna vem a este mundo a fim de experimentá-los sob a forma de Sri Chaitanya Mahaprabhu.
Certa vez, absorto nos sentimentos e no humor de Radhika, Chaitanya Mahaprabhu simula uma conversa entre Suas amigas (sakhis), na qual confessa que Krishna Se tornava indiferente para com Ela simplesmente para por em prova Seu amor, e Suas amigas replicavam que era melhor não fazer caso (Chaitanya-charitamritaAntya 20.42). Nesse momento, tomado por diversas emoções extáticas, Ele (ou Ela) recita a seguinte sequência de versos.
na gani apana-duhkha,     sabe vanchi tanra sukha,tanra sukha—amara tatparyamore yadi diya duhkha,     tanra haila maha-sukha,sei duhkha—mora sukha-varya 
“Não Me preocupa Meu próprio sofrimento. Só desejo a felicidade de Krishna, pois Sua felicidade é o objetivo de Minha vida. Entretanto, se Ele Se sente muito feliz por Me fazer sofrer, esse sofrimento é Minha maior felicidade”. (Chaitanya-charitamritaAntya 20.52)
ye narire vanche krishna,     tara rupe satrsna,tare na pana haya duhkhimui tara paya padi’,     lana yana hate dhari’,krida karana tanre karon sukhi 
“Se Krishna, atraído pela beleza de alguma outra mulher, quer desfrutar com ela, mas está infeliz por não conseguir obtê-la, caio aos pés dela, pego sua mão e a levo até Krishna para empregá-la na felicidade dEle”. (Chaitanya-charitamrita, Antya 20.53)
ye gopi mora kare dvese,     krishnera kare santose,krishna yare kare abhilasamui tara ghare yana,     tare sevon dasi hana,tabe mora sukhera ullasa 
“Se uma gopi, sentindo inveja de Mim, satisfaz Krishna, e Krishna a deseja, não hesitarei em ir à casa dela e tornar-Me sua criada, pois só assim Minha felicidade despontará”. (Chaitanya-charitamrita,Antya 20.56)
mora sukha—sevane,     krishnera sukha—sangame,ataeva deha dena danakrishna more ‘kanta’ kari’,     kahe more ‘praneshvari’,mora haya ‘dasi’-abhimana 
“Minha felicidade está no serviço a Krishna, e a felicidade de Krishna está na união coMigo. Por essa razão, dou Meu corpo em caridade aos pés de lótus de Krishna, que Me aceita como Sua amada e Me chama de Sua queridíssima. É então que Me considero como Sua criada”. (Chaitanya-charitamrita, Antya 20.59)
Estes esplêndidos slokas compilados por Srila Krishna Dasa Kaviraja expõem de maneira precisa e pragmática as nuances e a atitude do mais elevado grau de amor em toda a existência, o maha-prema experimentado por Radha com relação a Krishna. Sentimentos tão profundos e transcendentais que até o próprio Krishna vem como Chaitanya Mahaprabhu para poder prová-los, pois, mesmo para Ele, em toda a Sua onisciência e onipenetrância, eram insondáveis.
As bases do que é realmente o amor são plantadas nestes versos, tratando-se de um sentimento que se desemboca em uma atitude totalmente livre de egoísmo e máculas materiais, o sentimento puro e genuíno da alma de servir e dar prazer sem esperar absolutamente nada em troca. Lembrando que a própria Srimati Radharani é a origem desse elemento que constitui a essência mais nobre de toda a realidade, tanto espiritual quanto material.
Sri Radhika é a deusa de todo amor e devoção, não só isso, Ela também está na mesma categoria da divindade suprema; portanto, quando falamos Deus, ou o conceito mais íntimo e profundo de Verdade Absoluta dentro dos Vedas, referimo-nos a Sri Sri Radha e Krishna, energia e energético, masculino e feminino. Como cantou Pepeu Gomes devido às boas influências que ditaram no mundo alternativo em meados dos anos 70: “Ser um homem feminino Não fere o meu lado masculino Se Deus é menina e menino Sou masculino e feminino…”.
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